Pesquisadores acreditam que números de pessoas com danos auditivos é superestimado, mas continuam pregando cautela.
Texto: Nátaly Dauer
De acordo com um estudo de pesquisadores da Universidade de Minnesota (UM), nos Estados Unidos, o número de pessoas sofrendo de perdas auditivas em decorrência de ouvir “música alta” é menor do que se imaginava. Mesmo assim, os cientistas continuam pedindo atenção para o volume utilizado nos fones de ouvido.
Um artigo publicado no mês de agosto no periódico Journal of the American Medical Association indica que 20 % dos adolescentes nos EUA tem algum tipo de dano auditivo. Entretanto, o Professor Bert Schlauch, do Departamento de Ciências de Fala-Linguagem-Audição da universidade e autor principal do artigo, acredita que estes números são superestimados, conta o site Minnesota Public Radio.
De acordo com Schlauch, pelo menos 10 % desses adolescentes são falsos-positivos para danos auditivos, ou seja, erros analíticos podem levar a números mais altos dos reais. O estudo dos autores do artigo – publicado no Journal of Speech, Language and Hearing Research – foi feito do modo tradicional com alunos da banda da UM e demonstrou que 15 % deles sofria de algum “dano” auditivo. Porém, um acompanhamento, um ano depois, mostrou que em mais da metade estes danos tinham desaparecido.
De fato, o ouvido tem mecanismos de proteção contra a destruição das células nervosas na cóclea. Esse mesmo mecanismo de proteção causa temporariamente surdez ou diminuição na sensibilidade sonora. Caso os estudos tenham sido feitos no período imediatamente posterior à exposição do ouvido a grandes volumes (por exemplo, o jovem pesquisado tenha ido à pesquisa ouvindo seu iPod, ou tenha assistido a um concerto no dia anterior) a probabilidade de falsos positivos para deficiências definitivas na audição são muito maiores.
Em um caso que se tornou famoso em 2006, a Apple, devido à popularidade dos iPods, foi processada sob acusação de que seus gadgets poderiam causar perdas na audição. Na época, explica o site Gadget Lab, o caso foi abandonado, já que os tocadores de áudio da maçã possuem configurações de som que não provocam danos ao ouvido, ficando a cargo do próprio usuário o bom senso no uso.
Mesmo assim, os pesquisadores continuam pedindo cautela no uso de tocadores de música. Não é por que muitos dos estudos superestimam os reais danos à audição que podemos aumentar indiscriminadamente o volume do rock pauleira, termina Schlauch.
Fonte: Geek
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